Mário Cachão
Tema: GEOPARQUES COMO ÂNCORA DO GEOTURISMO (Sessão A)
Resumo:
Os geoparques, enquanto nova realidade no domínio do Turismo nacional, em geral, e do geoturismo, em particular, comportam dimensões estratégicas para a sua nucleação numa dada região através da valorização da geodiversidade e promoção da sua geoistória. Em particular irão ser passados em revista os seguintes aspectos:
i) O geoparque é local, genuíno, diferenciador, não resulta da importação de “modelos de sucesso” estandardizados doutros locais ou doutras culturas;
ii) É integrador e fio condutor de todas as atividades que decorrem na região e de todos seus os patrimónios (culturais, naturais);
iii) Alia criatividade à tradição. Pega em temas há muito conhecidos das populações locais (costumes, artesanato, gastronomia) e confere-lhes atualismo e dinamismo;
iv) Sendo a sustentabilidade critério fundamental do seu reconhecimento internacional, promove o desenvolvimento económico da região onde se insere, procurando o estabelecimento de parcerias com o sector privado;
v) As populações são elemento-chave dum geoparque daí o papel estratégico que é reconhecido às autarquias (e.g. prémio Geoconservação);
vi) Funcionamento em rede, à escala local (intra-geoparque), à escala nacional (entre geoparques portugueses), regional (e.g. ibérica, macaronesia), europeia (European Geoparks Network) e mundial (UNESCO Global Geopark Network).
Tema: POTENCIAL TURÍSTICO DO GEOTURISMO, CASO DE ESTUDO DE PORTO SANTO (Sessão C)
Resumo:
A Ilha do Porto Santo (R. A. Madeira) apresenta elevado potencial para a realização de atividades de geoturismo durante todo o ano em virtude, por um lado, do seu clima ameno sem grandes calores estivais ou acentuadas amplitudes térmicas invernais e, por outro lado, uma elevada geodiversidade num restrito espaço de território emerso, fruto da interação de três conjuntos de processos geológicos que podemos caracterizar como vulcânico, recifal e glacial. Cada um deles deixou vasto conjunto de evidências geológicas que podem ser observadas ao longo de geossítios estratégicos distribuídos quer pela ilha principal, quer pelos seus dois ilhéus maiores, o Ilhéu de Baixo ou da Cal e o Ilhéu de Cima ou das Laranjas.
Com o intuito de procurar inverter a atual tendência turística de Porto Santo, ainda muito baseada em turismo massificado de Praia-Sol, de forte carácter sazonal centrado na época estival, pretende-se desenvolver, no âmbito do Geopark Porto Santo (em fase de implementação) um conjunto de atividades tendo como fio condutor a existência duma Grande Rota que percorra a toda a Ilha do Porto Santo, da qual derivam percursos pedestres de menor extensão (Veredas) e mesmo atividades mistas incluindo trajetos a realizar de barco. Esta Grande Rota será realizada em regime autónomo ou com acompanhamento e interpretação por monitores especializados, procurando interligar aspectos de Património natural geológico com outros de natureza biológica (e.g. birdwatching) e cultural e etnográfica (e.g. produção de cal), ao longo de um trajeto com duração estimada de três dias.
Estes e outros aspectos serão ilustrados e discutidos ao longo da referida apresentação.
Curriculum resumido:
Licenciou-se em Geologia (1984) pelo Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, realizou provas de equivalência a Mestrado, em 1990, de Doutoramento, em 1996 (Especialidade Paleontologia e Estratigrafia) e de Agregação em 2005, no Grupo de Geologia. Especializou-se no estudo dos mais pequenos fósseis que são rotineiramente estudados em Micropaleontologia, os Nanofósseis calcários, apesar de ter publicado em coautoria, trabalhos sobre variados outros grupos paleontológicos, vertebrados e invertebrados. É co-regente da disciplina Paleontologia tendo leccionado várias outras temáticas desde a Geomatemática, à Cartografia e Geologia Geral bem como Micropaleontologia, Paleoecologia e Paleoceanografia a mestrados, para além da orientação de várias teses de Mestrado e Doutoramento. Reparte a sua atividade docente e de investigação (Paleoceanografia e Paleoecologia do Cenozóico) com ações de divulgação científica (e.g. Geologia no Verão), de valorização do Património Geológico (e.g. Representante nacional da ProGEO-Portugal) e de inovação no ensino das geociências (e.g. Programa Rocha Amiga).


