Leonor Picão, Turismo de Portugal
RESUMO
O turismo em Áreas Protegidas apresenta-se como um sector-chave para o desenvolvimento destas zonas, onde o tecido económico e produtivo apresenta, em regra, inúmeras fragilidades. As Áreas Protegidas são hoje reconhecidas em Portugal como um potencial que permite consolidar a imagem do País como destino turístico de qualidade, vocacionado para novos tipos de procura.
O Turismo de Natureza consiste num produto turístico composto pela componente de alojamento e por actividades de animação ambiental, cujos projectos devem respeitar os valores ambientais intrínsecos, reconhecendo que algumas zonas, pela sua sensibilidade, são condicionadas.
O diploma que criou o Programa Nacional de Turismo de Natureza (PNTN) visou regular estas actividades na Rede Nacional de Áreas Protegidas de forma ambiental, social, cultural e economicamente sustentável, através da sensibilização da actividade turística, das populações locais e de outras organizações interessadas, promovendo a criação de estruturas adequadas e de legislação específica. Ao longo dos anos a legislação específica do sector do Turismo tem alterado o conceito de Turismo de Natureza, sendo hoje mais abrangente, tanto em termos de localização, como em termos de tipologias turísticas admitidas. O Turismo de Natureza encerra em si o potencial para se atingirem diversos benefícios, como a diminuição da sazonalidade da actividade turística e a melhor distribuição do fluxo de visitantes de um território no espaço e no tempo. O alojamento turístico em Áreas Protegidas apresenta, indiscutivelmente, um papel prioritário no desenvolvimento destas regiões na medida em que contribui directamente para a criação e consolidação de postos de trabalho, para o surgimento de serviços complementares e para o desenvolvimento dos valores culturais e sociais das comunidades residentes.
O Turismo de Natureza assenta, assim, num desenvolvimento sustentável, já que o rendimento gerado depende em absoluto da preservação do património existente e contribui directamente para a manutenção do mesmo.
Referências Bibliográficas
Grupo de Trabalho do Turismo de Natureza constituído para cumprimento do Despacho nº 371-XV/2004/SET de 22 de Março de 2004, “ Turismo de Natureza”;
Turismo de Portugal (2006) “Plano Estratégico Nacional do Turismo”;
THR – Asesores en Turismo Hoteleria y Recreación, S.A. (2006) “10 produtos estratégicos para o desenvolvimento do turismo em Portugal – Turismo de Natureza” estudo realizado para o Turismo de Portugal, i.p;.
Eugénio Yunis (2006) “Desafios de la sustenibilidad en Turismo. Implicaciones para la conservación de Áreas Naturales Protegidas”, Estúdios Turísticos, nº 169-170, Instituto de Estúdios Turísticos, Secretaria General de Turismo, Secretaria de Estado de Turismo y Comercio;
Ricardo Blanco Portillo (2006) “Produtos de Ecoturismo en Parques Naturales acreditados com la Carta Europea de Turismo Sostenible: un proceso de cooperación institucional com los empresários” Estúdios Turísticos, nº 169-170, Instituto de Estúdios Turísticos, Secretaria General de Turismo, Secretaria de Estado de Turismo y Comercio;
ICNB (2008) “Áreas Protegidas”, “Programa Nacional de Turismo de Natureza”, http://www.portal.icnb.pt [acedido em 10 de Outubro de 2008];
Outra Legislação específica do sector do Turismo;
CURRICULUM RESUMIDO
Leonor Soares da Costa Picão de Abreu Ramos de Carvalho, nasceu a 2 de Outubro de 1967, em Lisboa. Formou-se em Arquitectura no ano de 1990. Possui o Curso de Desenho da A.R.C.O. (1985), o Curso do Laboratório Laval de Ensino Individualizado em Meios Audovisuais (1991), o Curso "International Summer Course Architecture in Verona" (1991) e o Curso de Inglês Técnico sobre Turismo e Arquitectura (1995). De 1988 a 1994 trabalhou na concepção de projectos, fiscalização de obras e apresentações públicas de projectos. Nessa data colaborou com vários arquitectos entre os quais o Arquitecto Hestenes Ferreira e o Arquitecto Carrilho da Graça. Desde 1993 até à presente data é funcionária do Instituto Turismo de Portugal, I.P., onde se dedicou à apreciação de Projectos Turísticos, pedidos de Utilidade Turística, Interesse para o turismo e Relevante Valor Arquitectónico, Histórico e Cultural, apreciação e acompanhamento de processos de elaboração dos Instrumentos de gestão territorial, avaliação de impacte ambiental, planos sectoriais e operações de loteamento, atendimento ao público e vistorias a empreendimentos turísticos. Foi formadora sobre Turismo no Espaço Rural e Turismo de Natureza, oradora em congressos sobre Turismo no Espaço Rural e Turismo de Natureza, acompanhou a elaboração da Portaria sobre sinalização de Turismo de Natureza e foi Professora no Curso de Especialização Pós-Graduada em Turismo de Natureza (Faculdade de Ciências do Porto). Representou Portugal nos Seminários sobre “Áreas Protegidas e Conservação na Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP)” e “Ecoturismo e Áreas Protegidas em África”, que tiveram lugar em Maputo. É coordenadora do Grupo de Trabalho sobre certificação (CT 144 – Serviços Turísticos, ISSO), Turismo de Natureza e Outdoor (WG6).


