Conclusões das II Jornadas de Reflexão de Animação Turística
As II Jornadas de Reflexão de Animação Turística (II JRAT), dedicadas à temática do Ambiente e Turismo Responsável, que decorreram no Auditório das Lajes do Pico a 16 e 17 de Abril de 2010, foram organizadas pela Associação Regional de Turismo em parceria com a Secretaria Regional do Ambiente e do Mar.
A sessão de abertura das II JRAT contou com a presença do Vereador da Câmara Municipal das Lajes do Pico (CMLP), Mário Tomé, do Presidente da ART, Sandro Paim, e do Director Regional do Ambiente, Frederico Cardigos. Após as boas vindas a todos os participantes foi realçada a importância de se criarem espaços de debate e de reflexão de ideias como é o caso destas jornadas.
Desta sessão destaca-se a importância, referida pelo Vereador da CMLP, da colaboração entre as várias entidades com responsabilidade sobre o futuro do turismo da RAA, nomeadamente o Governo Regional do Açores, as Câmaras Municipais e de Comércio, as associações, e até os próprios empresários do sector.
De seguida, o presidente da ART referiu o facto de todas as entidades com envolvência directa ou indirecta no sector do turismo estarem a trabalhar para o melhor da Região, mesmo apesar de haver discordâncias nas estratégias adoptadas por determinadas entidades. Sandro Paim aproveitou o momento para apresentar aos presentes algumas das acções da Associação, bem como, em modos gerais, o novo Plano Estratégico de Animação Turística (PEAT) que está a ser ultimado e que virá dar continuidade aos dois planos antecedentes.
A fechar a sessão de abertura, o Director Regional do Ambiente registou a complementaridade existente entre o Ambiente e o Turismo para o desenvolvimento da Região, considerando ser essencial criar algumas restrições “saudáveis” à actividade turística, por motivos de conservação da natureza, realçando que essas limitações são menores que as oportunidades criadas.
O primeiro painel de comunicações das II JRAT iniciou-se com o Director Regional do Ambiente, que destacou as acções desenvolvidas pelo Governo na organização do espaço natural dos Açores, nomeadamente os Parques de Ilha e a sua importância na protecção e preservação da flora e fauna endémicas dos Açores, o trabalho que está a ser desenvolvido para a candidatura dos Açores à rede mundial de Geoparques, os Centros Interpretativos e ainda na área da gestão de resíduos. De seguida, Francisco Silva, professor da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, fez referência às bases necessárias para a Animação Turística Responsável, iniciando a sua apresentação com as definições associadas ao turismo alternativo, sustentável e responsável, para posteriormente apresentar as bases para o turismo responsável e de qualidade, referindo as principais normas e certificações nessa área de aplicação. Na parte final da comunicação defendeu que os Açores deveriam definir uma visão estratégica para o turismo na região assente nos paradigmas da qualidade e da sustentabilidade, que sirva de linha orientadora para todos os intervenientes. “Os Açores devem apostar nas suas vantagens competitivas, procurando uma diferenciação positiva, tendo como base o turismo na natureza e cultural em toda a sua abrangência e a responsabilidade social, económica e ambiental”. A finalizar o primeiro painel, Leonor Picão do Turismo de Portugal apresentou a evolução do conceito turismo de natureza em Portugal, referindo iniciativas como o Programa Nacional de Turismo de Natureza e o Plano Estratégico Nacional do Turismo (PENT), que identifica o Turismo na Natureza como um dos produtos estratégicos para Portugal, criando-se directivas a nível de alojamento e animação turística em espaços naturais, com o intuito de se aliviar a pressão do desenvolvimento do sector. Ficou lançado o repto sobre se todas as actividades só por terem lugar na natureza devam ser incluídas no âmbito do turismo de natureza.
De seguida, teve lugar a mesa redonda preenchida por Frederico Cardigos, Director Regional do Ambiente; José Toste, Director Executivo da ART, em representação do Presidente da mesma Associação; Leonor Picão, do Turismo de Portugal; Rosa Nascimento, da empresa de animação turística açoriana Futurismo, Nilton Nunes, da Associação de Guias da Montanha dos Açores, e Gonçalo Velez, da empresa Rota dos Ventos. Este foi um momento em que se deu a oportunidade de haver maior interacção entre a plateia e os membros da mesa, destacando-se as seguintes ideias debatidas: a importância da formação dos recursos humanos das empresas de animação turística; o entendimento e espírito de equipa entre as várias empresas como componente essencial para o desenvolvimento do sector; a necessidade de se promoverem vários produtos turísticos com qualidade direccionados a determinados nichos de mercado, a vantagem da haver uma variedade de produtos turísticos que permitam o seu conhecimento junto de um maior número de pessoas interessadas pelos mesmos; e a necessidade de se criar uma marca ou rótulo relacionados com o turismo responsável na animação turística, a que as empresas possam aderir de forma voluntária. A ART referiu que esta será uma acção a que darão início já no próximo PEAT, tomando medidas para a criação de um rótulo de animação turística responsável, acção esta que pode ser demorada e que certamente não deverá ficar concluída ainda no próximo PEAT, dada a sua complexidade. Outros assuntos debatidos foram as dificuldades existentes para empresas externas em conseguirem criar pacotes de turismo de natureza e de aventura nos Açores, nomeadamente a dificuldade em conseguir quem faça a recepção e cumpra o programa, para além de, no final, se tornar uma viagem onerosa, com pouco retorno para as empresas que investem e a importância de se trabalhar produtos turísticos que contribuam para a redução da sazonalidade, tomando o exemplo da observação de aves que em determinadas alturas do período de época baixa consegue atingir boas taxas de ocupação do alojamento existente. Um assunto que mereceu a participação de vários intervenientes prendeu-se com a dificuldade, ou até mesmo, impossibilidade por parte das empresas em manter os seus recursos humanos durante todo o ano dada a forte sazonalidade existente na região. Como forma de se tentar encontrar uma solução, foi levantada a hipótese de se criar uma bolsa de guias de modo a disponibilizar recursos humanos às empresas sempre que estas necessitarem de reforços para poderem operar.
No dia 17 as jornadas tiveram continuidade, com a apresentação do projecto Geoparque Açores, por Manuel Paulino da DRA, através da qual se ficou a conhecer a intenção do Governo Regional dos Açores em candidatar os Açores à Rede Europeia e Mundial de Geoparques. A possível inclusão da Região nesta rede de geoparques trará vários benefícios a este destino turístico, sendo um deles a vertente promocional.
De seguida, Manuel Villalonga, director e conservador do Parque Nacional de Teide, nas Canárias, apresentou o modelo da gestão do parque, nomeadamente a gestão dos visitantes, bem como dos recursos humanos e naturais. A terminar a sessão de boas práticas e casos de estudo, esteve Alfonso Vargas, que referiu a importância do sector do turismo para a redução da pobreza. Segundo este orador o turismo é uma actividade tanto com impactes positivos como negativos, sendo a população local a primeira a ter o reflexo desses impactes. Como exemplo desse facto, o orador apresentou o estudo desenvolvido numa comunidade no sul de Espanha, que tinha como principal actividade a mineira e após esta entrar em forte declínio, o turismo afirmou-se como a principal alternativa.
O segundo painel foi dedicado à gestão do acesso à montanha do Pico, tendo o seu primeiro orador, Nilton Nunes, da Associação de Guias da Montanha dos Açores, referido a necessidade de se encontrar um modelo de gestão da montanha mais eficiente, que controle e regule o acesso à montanha, nomeadamente, a sua subida em autónoma. Maria do Céu Almeida, professora na ESHTE, interveio de seguida, referindo-se à temática da formação dos guias e da gestão do risco em particular no caso de estudo da subida à montanha. A importância da gestão do risco, foi reforçada, não só pelo facto da segurança ser uma das principais prioridades da actividade turística, como dos acidentes poderem comprometer seriamente a imagem de um destino turístico. Após a apresentação da abordagem metodológica da gestão do risco em animação turística apresentou a situação da sua aplicação no contexto português e em particular na montanha do Pico, sendo referidas diversas sugestões específicas como a aposta na formação contínua dos guias, e a necessidade de encontrar um equilíbrio entre risco real e risco percebido, o que é essencial para reduzir os acidentes e garantir a satisfação dos clientes e praticantes. Seguiu-se a intervenção de Fernando Oliveira, Director do Parque Natural da Ilha do Pico, que referiu as futuras condições de gestão de subida à montanha como é o caso do rastreio na subida autónoma, impossibilitando a subida de pessoas embriagadas ou com distúrbios mentais. Para além do mais, é necessário encontrar uma forma de a exploração da montanha trazer dividendos para a Região e para o Pico em especial. Na última intervenção deste painel o Comandante Ricardo Dias, dos Bombeiros Voluntários da Madalena, apresentou alguns factos da meteorologia específica da montanha do Pico, decorrente da sua experiência como meteorologista no aeroporto, para posteriormente apresentar os aspectos essenciais do trabalho dos bombeiros no resgate na montanha do Pico. Foi apresentado o número de recursos humanos afectos às operações de resgate na montanha, bem como os custos inerentes a um resgate e as respectivas dificuldades enfrentadas, sendo dado destaque à dificuldade de se encontrar a localização dos sinistrados.
As IIJR.AT foram complementadas com a realização de um workshop, na tarde do dia 17, dedicado à temática da vinha do Pico, tendo tido a participação de Nuno Fazenda da Estrutura de Missão do Douro, Arlene Goulart da Adeliaçor e Fernando Oliveira do Parque Natural de Ilha do Pico. Nuno Fazenda deu início à sua intervenção afirmando que os Açores reúnem as características para se afirmarem como destino turístico, verificando-se contudo ainda a necessidade de melhorarem a articulação entre as entidades, bem como evitar a realização de acções a avulso, visto que estas não contribuem para se atingir os planos concebidos. Nuno Fazenda referiu ainda a importância que o Enoturismo tem no desenvolvimento do sector do turismo na Região do Douro e apresentou o Plano de Desenvolvimento Turístico do Vale do Douro 2007-2013, ficando aqui a referência a algumas acções de promoção realizadas como: o convite a embaixadores de vários países estrangeiros, a festa da vindima, o festival das aldeias vinhateiras, a realização de congressos internacionais, a criação de sinalização turística, bem como a criação de rotas e a sua inclusão na rede de rotas internacionais. Outra das acções para a consolidação do destino prendeu-se com adesão as redes de cooperação como é o caso do Centro de Excelência de Destinos (CED) ou mesmo a parceria com a National Geographic, sendo a mesma utilizada como argumento para promoção. Arlene Goulart interveio de seguida falando sobre o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela Adeliaçor nos últimos anos no âmbito da criação de quatro rotas, nomeadamente, relacionadas com a temática dos queijos, dos vulcões, da faina baleeira e dos vinhos. Foi sobre esta última que Arlene Goulart focalizou a sua apresentação, revelando os vários processos e acções que têm sido feitas para dinamizar a rota, nomeadamente na criação de guias que permitem a realização das rotas autonomamente, na colocação de toda a sinalética identificativa dos pontos de interesse na rota e, ainda, no desenvolvimento de acções de formação. Por último, Fernando Oliveira, director do Parque Natural de Ilha do Pico, com responsabilidade sobre a Paisagem Protegida da Vinha do Pico, referiu a missão do Gabinete Técnico da Paisagem Protegida da Cultura da Vinha do Pico, que tem a responsabilidade de gerir e desenvolver acções como as rotas e eventos temáticos tendo como base o território classificado pela UNESCO, devendo as outras entidades, que pretendam actuar nesse espaço, procurarem estabelecer um regime de colaboração com este Gabinete e respeitarem as directrizes estabelecidas.
Concluiu-se assim que urge incentivar essa colaboração e respeitar a responsabilidade de cada organização. Nas conclusões das jornadas o Director Executivo da ART, José Toste, referiu o interesse que as Jornadas de Reflexão de Animação Turística têm para a Região, e em especial para a ART, como forma de promover o debate de ideias entre os diversos agentes de turismo, com especial incidência na animação turística, para as presentes e futuras actuações da Associação.


